
Oi pessoas! Reapareci! :D
Spoilers mínimos abaixo. Você descobriria muito mais em uma chamada na TV.
Justin Halpern morou durante um tempo em Los Angeles, onde tentou a carreira de escritor em Hollywood. Sem sucesso, teve que voltar para a casa de seu pai, em San Diego. Retornando ao lar, Justin percebeu que estava privando a humanidade das frases construtivas e politicamente corretas de seu pai e resolveu criar um perfil no twitter para compartilhar toda a sabedoria de Sam Halpern. Depois de ganhar retweets de pessoas famosas, o perfil explodiu em popularidade e hoje tem quase dois milhões de seguidores. Halpern fez uma parceria com um amigo de longa data e publicou um livro relacionado ao perfil, que logo alcançou uma posição entre os 10 mais vendidos dos Estados Unidos.
A CBS adquiriu os direitos para fazer a série, que conta com Justin Halpern como co-roteirista e co-produtor executivo. Tanto o livro quanto o twitter chamam-se Shit My Dad Says, mas a emissora optou por batizar a série como $#*! My Dad Says (pronuncia-se Bleep My Dad Says, mas eu uso o Shit mesmo!), usando o disfarce para o palavrão, a fim de respeitar as regulamentações sobre a ausência de palavrões no horário nobre. Vale lembrar que a série vai ao ar as 20:30 no horário da Costa Leste dos Estados Unidos e as 19:30 na Costa Oeste.
Como a série não poderia viver somente das citações do pai de Halpern, SMDS usou a base do pai reclamão e adicionou diversos elementos, principalmente no que diz respeito ao restante da família, com o surgimento do irmão mais velho, Vince (Will Sasso), a sua esposa, Bonnie (Nicole Sullivan) e o empregado doméstico, Tim (Tim Bagley). Ed, o pai, é um veterano do Vietnã, teimoso como uma mula. Sendo o ex-militar clichê, ele tem dificuldades para expressar seus sentimentos e, é claro, é uma metralhadora de frases politicamente incorretas, grosseiras e insensíveis. Se isso não lembra o avô de ninguém, certamente deve lembrar o avô de algum amigo. Na série, o filho mais novo é um jornalista chamado Henry. O irmão mais velho e a esposa trabalham no ramo imobiliário.
A série começa com Henry voltando para casa depois de ficar desempregado. O retorno é a sua última opção, porque ele tem sérios problemas com o seu pai, que sempre foi distante e rígido durante a sua infância e adolescência. Por isso, essa passagem deveria ser muito rápida. Com a situação complicada da economia estadunidense, ele não vê outra opção a não ser continuar morando com seu pai enquanto busca emprego. Inicialmente, os dois discutiam bastante, ainda como um reflexo daqueles anos terríveis do passado, mas ao longo dos episódios, Ed cede em algumas situações e a convivência passa a ser tolerável e, quem sabe, até desejável. Agora vamos lá: quantas vezes vocês já viram uma história muito parecida com essa em outras séries ou filmes? 100?
Até aqui, deve parecer que eu não gosto da série, mas é justamente o contrário: eu gosto! A série é uma colcha de retalhos de histórias já contadas, mas funciona. O pior é que eu não consigo dizer com certeza o motivo.
Eu conheci o @shitmydadsays quando começaram a especular sobre a criação da série. O perfil em si não é genial, embora possa render umas boas risadas, mas o que me deu esperanças foi a contratação de William Shatner para o papel do pai. Ele é incrivelmente carismático e corresponde totalmente ao que se esperaria dele nesse papel, sendo somente limitado pela criatividade dos roteiristas. Ele tem a mesma idade de Leonard Nimoy, mas está inteiro, nem parecendo ter 79 anos, ao contrário do Spock, que como visto em Fringe, mal consegue falar. Até um tempo atrás, eu diria que o eterno Capitão Kirk carregava a série nas costas, mas recentemente comecei a gostar bastante do Vince, sendo um segundo lugar próximo. Vince é alto, gordo e, quando está sério, convenceria qualquer um que trabalha de segurança em uma boate, mas é na verdade um cara legal e muito sensível, o que não é exatamente algo novo, mas funciona muito bem. Will Sasso fez um papel menor em Two and a Half Men no ano passado e teve uma aparição genial em How I Met Your Mother em 2008, no episódio The Fight. Não vou comentar os detalhes, mas The Fight é fantástico. Henry, Bonnie e Tim estão ali basicamente para completar o elenco. Jonathan Sadowski tem os seus momentos, mas não consigo tirar da minha cabeça que Josh Radnor seria um Henry mil vezes melhor. Tim Bagley não aparece com muita freqüência, mas costuma ser engraçado. Já a Nicole Sullivan é totalmente descartável e qualquer atriz poderia fazer o que ela faz. Me parece uma contratação bastante preguiçosa por parte dos responsáveis pela série.
A série tem um piloto bem fraco, o que quase me fez desistir. O segundo episódio é bastante decepcionante e achei que seria mais uma entre os fracassadas do ano. No entanto, o final do segundo episódio é bom e a partir daí a série começa a melhorar. É preciso ter fé. Mesmo melhorando, SMDS ainda não atingiu o nível das séries top, e nem acho que conseguirá, mas ao menos para mim, vale a pena assistir.
Shit My Dad Says é exibida nas quintas-feiras depois de Big Bang Theory, no mesmo slot de horário de 30 Rock e tem quase o dobro da audiência da série da NBC, o que faz muita gente enlouquecer se perguntando como uma série tão “inferior” consegue números tão superiores aos da série de Alec Baldwin e Tina Fey. Com Big Bang, a segunda maior comédia do país, abrindo o bloco de comédias, não é de surpreender que SMDS tenha sido aceita facilmente pela audiência estadunidense.
Seguindo a idéia do Paulo, fiz o meu Top 5 Músicas. Para não repetir o post dele trocando somente as músicas, resolvi escolher as minhas usando alguns critérios diferentes. As minhas escolhidas não são necessariamente músicas que eu gosto. Elas estão aqui pelo seu significado, pela reação que causaram em mim ou pelas lembranças que despertam.
5º – Glory Box – Portishead (CSI 2x02 – Chaos Theory)
Em um dormitório universitário, uma jovem mulher aguarda na janela a chegada da sua carona. Naquela noite chuvosa ela seria assassinada.
Embora Chaos Theory não seja um episódio chave para a série, mantém a qualidade tradicional das duas primeiras temporadas de CSI. Essa série não é reconhecida pelo cuidado com a trilha sonora, como é o caso de algumas das outras abaixo, mas Glory Box foi um grande acerto.
4º – Delicate – Damien Rice (Lost 1x17 – ...In Translation)
Essa, assim como uma das escolhidas do Paulo, é mais uma música do fantástico Discman do Hurley. Agora que eu parei para escrever esse post comecei a achar esquisito o Hurley, sendo do jeito que é, ter esses tipos de gostos para música. Sou só eu? Além disso, sendo o dude podre de rico, ele não poderia ter comprado um mp3 player já naquela época?
Delicate é linda e merece com certeza ser a primeira música de O, o primeiro trabalho solo de Damien Rice. Tive que me conter para não escrever que essa música é a melhor do disco, porque seria uma injustiça, afinal o cd é maravilhoso.
3º – Fight the Power – Public Enemy (House 5x22 – House Divided)
Nos 30 segundos mais engraçados de toda a série, House aparece segurando um rádio e dançando, como se fosse um rapper. O rádio, ou melhor, as vibrações que ele emite, são utilizadas em um teste para confirmar uma suspeita do médico.
Eu ri tanto que tive que pausar o episódio para não perder o diálogo! Voltei incontáveis vezes para assistir de novo e ri em todas, o que é algo extremamente raro de acontecer comigo. Além disso, é impressionante como essa música vicia! Passei vários dias escutando direto.
2º – Here I Dreamt I Was an Architect – The Decemberists (How I Met Your Mother 2x04 – Ted Mosby, Architect)
Esse episódio tem como um de seus focos as dificuldades que a Robin tem em se relacionar, sendo acostumada a viver sozinha e entrar e sair de relacionamentos quando bem desejava. Ted é um cara legal, mas gosta de falar de assuntos que só ele no grupo se interessa, como Arquitetura. Isso gerou alguns conflitos entre eles e a música fica ao fundo, enquanto eles acertam alguns pontos em seu relacionamento.
Não conheço muito de Decemberists, mas entre os cds deles que eu ouvi, Castaways and Cutouts, é o melhor. Me parece que Decemberists é bem menos conhecido do que deveria.
1º – Carry On Wayward Son – Kansas (Supernatural 3x16 – No Rest for the Wicked)
Episódios épicos de Supernatural são aqueles que começam com um Impala preto correndo pelas estradas dos Estados Unidos ao som de Carry On Wayward Son. Isso significa que é começo ou fim de temporada, que veremos algumas cenas com os momentos mais relevantes até o momento e, é claro, que vai rolar muita, mas muita ass kickery. Essa música, como pode-se imaginar, é trilha de diversos episódios, mas escolhi esse em especial porque faz parte dos melhores dias da série. Saudades.
A trilha sonora de Supernatural é recheada de músicas de bandas de rock dos anos 70 e 80, principalmente. Provavelmente isso é resultado do gosto dos showrunners da série, mas é refletido no Dean, declarado fã de rock antigo. O fato é que na maioria dos episódios sempre tem alguma banda tocando. Nomes como Lynyrd Skynyrd, Rolling Stones, Creedence Clearwater Revival, Bob Dylan, The Stooges e Alice in Chains dão as caras na série. Assim como a música destacada nesse post, AC/DC é praticamente trilha oficial dos momentos mais importantes da série.
Mesmo eu nunca tendo gostado de Kansas, escolhi essa como a número 1 pela lembrança dos melhores momentos da série e pela sua relevância para Supernatural. A letra faz muito sentido e parece ser uma daquelas músicas criadas especificamente para serem utilizadas em conjunto com algum livro, série, filme ou personagem.
Vamos a elas:
5º - Nothing compares to you – Sinnead O’Connor (
Jake (Skeet Ulrich) e Emily (Ashley Scott) estão conversando sobre seu passado quando Jake diz que Emily não parava de cantar a música de uma cantora careca. Emily diz que aquela era música deles, o que surpreende Jake.
4º - Like a rolling stone – Rolling Stones (FlashForward – S01E06)
Um tiroteio digno de James Bond ao som de uma das melhores músicas de Bob Dylan – interpretada pelos Rolling Stones. O tiroteio fez o governo americano acreditar no Projeto Mosaico e investir dinheiro nele. Na mesma cena Janis (Christine Woods) leva um tiro, o que poderia prejudicar a visão que ela teve em seu flashforward.
3º - Are you sure - Willie Nelson (Lost – S01E06)
Jack (Mathew Fox) decide se mudar para as cavernas e consegue alguns seguidores. Já estabelecidos, à noite, Hurley (Jorge Garcia) põe seu walkman – uma das primeiras coisas que havia comprado após ganhar na loteria – a tocar Willie Nelson.
2º - Spit on stranger – Pavement (How I Met Your Mother – S01E13)
Ted (Josh Radnor) conhece uma mulher no casamento de Stuart (Matt Boren), eles se dão bem, porém concordam em não se ver mais depois daquela noite. Eles nem trocam telefones ou algo parecido. Porém, Ted fica obcecado por ela e depois de muito procurar a reencontra.
No momento em que se vêem, Spit on stranger começa a tocar. Ela pode não ter sido a “mother”, mas pelo menos proporcionou um dos grandes momentos da série.
1º - No Surprises – Radiohead (House – S06E01)
Em um episódio com um nome adequado, Broken, House (Hugh Laurie) começa sua luta para se livrar do vício de Vicodin. Assim que começa o episódio, o teclado do Radiohead inicia sua música melancólica. A luta contra a dor e a abstinência parece acentuada por essa ótima música.
E então, concordam, discordam, tem outras sugestões? Os comentários estão aí para isso.
Como bônus, vocês podem baixar as músicas citadas neste Top Five aqui.
Crédito das imagens: Havyner! Thanks, bro.